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sexta-feira, 10 de julho de 2015

PAIS DE LINCHADO ATÉ MORTE NO MA CHORAM: ‘JUSTIÇA’




Antônio e Maria José ainda não conseguem entender o que levou as pessoas

a espancarem Cleidenilson até a morte. (Foto: Marcelo Theobald/Extra)
No poste que fica em frente ao número 25 da Rua Jaime Costa, no bairro de Jardim São Cristóvão, em São Luís, no Maranhão, a marca de sangue ainda tinge o chão. Foi ali que, na segunda-feira, Cleidenilson Pereira da Silva, amarrado e surrado, morreu, após tentar assaltar um bar a poucos metros de distância. Próximo ao palco da barbárie, o clima é de apreensão, e poucos comentam abertamente o linchamento — os comerciantes da região, em sua maioria, ainda mantêm as portas de seus estabelecimentos cerradas. O silêncio quase hegemônico, porém, não significa arrependimento.

— O desfecho foi bom para todos, pois quem morreu foi o marginal — sentencia, pedindo anonimato, uma filha do dono do bar que seria roubado.
Antônio Pereira da Silva e Maria José Gonçalves Pires discordam. Pai e madrasta de Cleidenilson, os dois procuram entender não só o envolvimento do filho no assalto (ele nunca tivera relação com crime), mas também a brutalidade dos que espancaram o rapaz de 29 anos até a morte.
— A única coisa que eu queria perguntar a eles é como estão colocando a cabeça no travesseiro — desabafa, entre lágrimas, a auxiliar de cozinha Maria, considerada por Cleidenilson como sua mãe.
A mãe biológica entregou o filho para o lanterneiro Antônio quando o menino tinha 2 anos, e nunca mais deu as caras. Mais novo entre quatro irmãos, ele estudou até a oitava série (atual nono ano) e começou a usar cocaína aos 15, vício que manteve até o início da vida adulta. Nos últimos dez anos passaram a utilizar somente maconha.
— Na nossa última conversa, no domingo à noite, eu disse que ele precisava parar com isso. E ele prometeu que mudaria — conta Antônio.

Desempregado há dois anos, Cleidenilson fazia bicos variados para se manter. Na segunda-feira em que morreu, pintaria geladeira para uma vizinha. Com o dinheiro, gostava de fazer pequenos agrados à família. O último, no Dia das Mães, foi uma TV de 14 polegadas dada a Maria. Jornal Pequeno