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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

SANGROU, POEMA DO JORNALISTA ABEL CARVALHO, PARTICIPARÁ DA ANTOLOGIA POÉTICA NACIONAL, PRÊMIO POETIZE 2016






Sangrou, é um poema de autoria do Jornalista Abel Carvalho, que concorreu e foi classificado no Concurso Nacional Novos Poetas. Prêmio Poetize 2016, e vai participar do Livro Prêmio Poetize 2016. Antologia Poética.

O Concurso Literário é uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural, que alcança um grande público, escolas e faculdades, realizado pela Vivara Editora Nacional, com o apoio cultural da Revista Universidade, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Universidade Federal do Rio de Janeiro e TV Brasil. A relação dos 250 que estarão na edição do livro pode ser encontrada clicando em www.premiopoetize.com.br.


Sangrou é um poema recente, escrito em 26 de abril desse ano, e faz parte de uma nova e mais tímida, ainda, fase da minha vida, quando bato na porta dos 60 anos. E tem uma musa. Por mais incrível que pareça, uma poesia; essa:


O mal dos séculos
JM Cunha Santos

A poesia estraga dentro de mim
e não encontro meios de trazê-la à tona
A poesia embrutece, comprime lá dentro
busca buracos de saída em minha alma
mas continua presa lá, solitária e mal

Se fosse eu um bom ladrão
teria direito a uma cruz ao lado de Cristo
mas sou um poeta, nem sequer sou notícia
Se fosse eu um assassino ou um psicopata
seria mais defendido, amado, respeitado, teria
advogados e psicólogos tentando me entender
se ninguém ousa entender ou defender poetas

A poesia estica dentro de mim
tenta romper os vasos, o corpo, os sentidos
mas só consegue me sujeitar e oprimir
porque não sai, fica, grita-se e me padece;
A poesia é um castigo milenar
A poesia é um poder horroroso
dado só aos escolhidos para viver o desumano

A poesia não sai de dentro de mim e eu,
embuchado de tantas rosas, cruzes e estrelas,
só vomito espinhos, fogo, auto piedade, morte
e sei: da poesia nada nem ninguém me salvará
Jamais.



Espero que, a partir de agora que essa sangria semi espontânea, e uma falsa promessa de edição, me faça assumir mais meu lado literato, poético mesmo, me deixe bem menos etílico, embora nem me passe pela cabeça – ou não? -, deixar de beber... mas que me faça fazer mais poesias, escrevê-las mesmo, sem ter que as jogar fora, como fiz com alguns filhos que gerei e não deixei vir ao mundo. A poesia é assim:


Sangrou


A tua poesia é uma dor sem fim.

A tua poesia sangra como um sudário sem dono.

O meu amor esparge o fel do sofrimento.
O meu amor por ti trespassa meu sonho timorense.

A tua ausência é um crucifixo sem história
Sem corpo, sem chaga, sem véu.

A tua saudade me aniquila em alma, luz, escuridão.

A tua lembrança me corrompe, constrange meus desejos,
Desenfreia, arde como o canto da lira que eu nunca ouvi.

A minha dor...
A minha dor dói cálida e perene,
Não seca, comprime, cega, estremece,
Emudece a minha insônia sem fim.

A minha dor...
A minha dor cresce, não estanca,
Desanca como um Céu em tornado,
Como o mar em turbilhões,
Como um coração parado, seco, separado,
Entregue as mãos de quem não quis.

A tua poesia e a minha dor caminham juntas, a passos largos,
Em tragos, disseminações e reminiscências.

Em essência fogem de si mesmas, se conhecem, não se amam,
Se odeiam como dois tolos enamorados sem destino,
Se fecham, se calam, se martirizam para sempre.

A minha dor é o teu poema,
E sangra.

Abel Carvalho