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sábado, 3 de janeiro de 2015

Homem tem 80% do corpo queimado enquanto dormia no centro de São Luís

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 Foto: reprodução

morador de rua ainda é tratado como assombração 

A imagem de um homem negro, em situação de rua, pobre, sem roupas, agonizando, com 80% do corpo queimado e caído ao chão, foi publicada em praticamente todos os portais de noticias, a sociedade do espetáculo e o sensacionalismo produzem estas aberrações.  

Faltou dizer quem é este homem, porque ele está ali, porque até acontecer o crime ele era invisível. Afinal, quem são as pessoas em situação de rua? Por que elas estão nesta situação? 
                                            
Um homem de 38 anos de idade foi vitima de um grave atentado no centro da capital maranhense na manhã desta sexta-feira (02), ele teve 80% do corpo queimado.

O homem identificado como Ivaldo Canário de Sousa, conhecido como Xitara, dormia em uma praça no centro de Sâo Luis, quando Daniel dos Santos Nogueira de 31 anos despejou combustível sobre o corpo de Ivaldo e ateou fogo. As chamas atingiram 80% do corpo da vitima que foi socorrido por populares.

Chama atenção o tempo para a chegada do socorro, mesmo o acidente tendo acontecido no centro da cidade, próximo aos Hospitais Djalma Marques e Santa Casa, o homem agonizou durante uma hora estendido ao chão, sob o olhar de curiosos, até a chegada de uma viatura do Corpo de Bombeiros que o transportou para Hospital Djalma Marques, o Socorrão I.

Segundo nota divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde,  Ivaldo Canário de Sousa, está internado na Unidade de terapia Intensiva, seu estado de saúde e grave. 

Daniel dos Santos Nogueira, acusado de praticar o crime foi preso e atuado em flagrante, durante depoimento ele confessou ter ateado fogo na vitima por vingança, já que segundo ele, Ivaldo teria lhe roubado a carteira porta cédulas e o aparelho celular. 

Vale ressaltar que a vitima é flanelinha e vive em situação de rua, fato amplamente explorado pela mídia, a imagem de um homem negro, sem roupas, agonizando, com 80% do corpo queimado e caído ao chão, foi publicada em praticamente todos os portais de noticias.

Faltou dizer quem é este homem, porque ele está ali, porque até acontecer o crime ele era invisível, Afinal, quem é a população em situação de rua? Por que elas estão nesta situação? 


O Bicho, de Manuel Bandeira

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem”.


O morador de rua ainda é tratado como assombração viva de becos, vielas e calçadas. Está sempre nas marquises, enrolado em papelões e jornais, protegendo-se do frio e das chuvas. São confundidos com o mobiliário urbano e tem a atenção das pessoas tanto quanto tem um banco de praça, um ponto de ônibus ou aqueles “chafarizes” dos bombeiros, bem simpáticos por sinal, no qual as crianças adoram pular. A FIGURA DO MORADOR DE RUA
Somos acostumados a olhar para alguém que está no chão da praça ou perambulando pela rua, mal vestido, e seguir em frente. Parece que estas pessoas já fazem parte do cenário urbano.
Além da indiferença da maior parte da população em relação a estas pessoas, o preconceito gera uma imagem fixa de ‘’pessoa de rua’’. Esta pessoa é aquela que está na rua, provavelmente desde sempre, viciada em drogas, sem estudo, e que comete crimes. Quando existe a aproximação com esta parcela da população, fica nítido que este preconceito não condiz com a realidade. Afinal, quem é a população em situação de rua? Por que elas estão nesta situação? Os invisíveis que eles querem esconder 

Moradores de rua são seres humanos que vivem fora do contexto social, são vidas sem 
 direito à saúde, sem médicos e sem remédios; sem direito à moradia, a casa é a rua; sem 
 
saneamento básico; sem higiene; sem alimentação, comem qualquer tipo de alimentos, 
oriundos dos lixões; sem acesso à educação; sem emprego, em sua maioria não tem instrução 
 
nem qualificação, logo lhe faltam oportunidades; sem segurança; sem lazer, as drogas lhes 
 
consomem o tempo. Enfim, são destituídos de cidadania, de condições que lhes confiram 
 
dignidade.