DESRESPEITO, DESINFORMAÇÃO E BUSCA POR ENGAJAMENTO MARCAM COBERTURA DE CASO INÉDITO NO MARANHÃO



Um fato grave, doloroso e sem precedentes no Maranhão deveria estar sendo tratado com o máximo de responsabilidade, respeito às vítimas e sensibilidade com os familiares. No entanto, o que se vê em parte da cobertura é o oposto: desinformação, disputas por audiência e uma condução que mais atrapalha do que ajuda.

A cobertura jornalística de um caso dessa magnitude exige compromisso com a verdade, imparcialidade e profissionalismo. Não se trata de entretenimento, nem de palco para autopromoção. Trata-se de vidas, de sofrimento real e de famílias que aguardam respostas em meio à angústia, ao cansaço e à esperança.

Nos últimos dias, a atuação irresponsável de alguns que se dizem comunicadores, influenciadores ou criadores de conteúdo tem causado indignação e repúdio. Informações não confirmadas, versões precipitadas e narrativas sensacionalistas vêm sendo disseminadas sem qualquer critério técnico ou checagem mínima, confundindo a população e desorientando quem acompanha o caso.

Mais grave ainda é o impacto direto desse comportamento sobre o trabalho das equipes de busca. A circulação de boatos, falsas localizações e “exclusivas” sem fundamento atrapalha as operações, gera retrabalho e desvia o foco de quem realmente está empenhado em encontrar respostas.

Há também a presença de influenciadores ligados a grupos políticos de outras cidades, que chegam ao local não para informar, mas para explorar a dor alheia, transformar tragédia em palanque e sofrimento em engajamento. Em vez de contribuir, acabam criando ruído, conflito e desconfiança em um momento que exige união e responsabilidade.

O jornalismo existe para servir à sociedade, não para alimentar vaidades pessoais. Em situações extremas, como esta, o papel da imprensa é informar com precisão, respeitar o silêncio quando necessário, ouvir fontes oficiais, proteger as vítimas e não transformar a dor em espetáculo.

É preciso fazer um alerta claro: likes, visualizações e seguidores não podem estar acima da ética. Quem atrapalha, distorce ou espalha informações falsas não está ajudando. Está ferindo famílias, confundindo a população e comprometendo um trabalho sério que envolve vidas humanas.

O momento pede respeito, responsabilidade e compromisso com a verdade. Tudo fora disso não é jornalismo. É oportunismo.

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